PERCURSO #6: CENTRO

Este percurso da pesquisa de campo do projeto Sombras corresponde à região mais central do bairro Centro da cidade de Balneário Camboriú. É a área delimitada aproximadamente pela rua 2500, a rodovia BR-101, a avenida das Flores, avenida Central e o mar. A região é bastante urbanizada, com a mancha urbana muito densa e ocupação quase completa do território, com pouca presença de lotes vagos e áreas verdes. De maneira geral, sua paisagem florística é composta por elementos arbóreos mais isolados, especialmente associados aos raros lotes de ocupação mais antiga, que geralmente apresentam edificações históricas, formando um conjunto bem interessante de arquitetura tradicional de veraneio sombreadas por grandes árvores e amplos jardins.

A região apresenta ainda algumas ruas mais tradicionais, que ficaram “presas” entre as grandes avenidas modernas ao longo do acelerado crescimento urbano, e que, por isso, ainda possuem trechos de arborização urbana mais densa com algumas árvores de grande porte. A presença destas árvores de grande porte, normalmente isoladas, se faz marcante na paisagem urbana devido ao contraste que estabelecem em relação à verticalidade dos altos edifícios centrais e à própria aridez da densidade urbana.

Neste percurso encontramos também algumas praças públicas de destaque na cidade, como as praças da entrada principal, pela avenida do Estado, a árida praça das Bandeiras que, além das bandeiras dos estados brasileiros, não tem nenhuma árvore e a praça das Sereias, localizada numa região que está neste momento passando por radical transformação paisagística, devido à construção em andamento do elevado da 4a. Avenida. Esta praça é composta por um conjunto arbóreo bastante significativo, com árvores de grande porte que se destacam na paisagem, especialmente uma antiga figueira. Outro conjunto arbóreo que se destaca neste percurso está junto à Paróquia Santa Inês, formado por diversas espécies de grande porte, e que foi notícia recente de destaque na mídia devido à extração de três grandes árvores da espécie exótica espatódea, tidas como nocivas à fauna local.

Encontramos ainda dois conjuntos arbóreos bastante significativos que se destacam na paisagem da praia, as amendoeiras-da-praia no calçadão da avenida Atlântica e a vegetação da ilha das Cabras, no meio da enseada da praia Central. As amendoeiras estabelecem fortes relações com a memória afetiva dos moradores e frequentadores de cidade, são formadoras da identidade local por estarem plantadas na beira-mar desde antes da emancipação do município e constituírem uma paisagem histórica da região. Recentemente, um decreto municipal declarou imunes ao corte estas amendoeiras localizados na Avenida Atlântica.

A ilha das Cabras, situada a 600 metros da faixa de areia da praia Central, é considerada um dos principais cartões postais do município e está tombada como área de preservação. Seu nome que, antigamente era “Ilha das Cobras”, foi dado em menção ao cultivo de cabras feito no local por um antigo morador. Marciano Cavalheiro, foi o primeiro chefe dos salva-vidas da praia e morou 12 anos na ilha, entre 1965 a 1977. Além dos animais que criava para a subsistência de sua família, plantou diversas árvores seringueiras na ilha, que até hoje formam sua paisagem.

Outro elemento paisagístico de destaque neste percurso é a Área de Conservação Ambiental localizada no pátio do Centro Educacional Municipal Vereador Santa. A ACA foi criada em 2011 através do esforço da professora do Laboratório de Ciências da escola, Ivanete Franzon Marsango, é formada por um conjunto arbóreo de mata nativa que protege uma das nascentes do rio Marambaia. O pequeno bosque fica em contato visual direto com o pátio da escola mas, segundo os próprios funcionários, não é reconhecido pelos alunos como sendo área de uma nascente de água, o que revela a desconexão do cidadão com o ambiente natural que está inserido. A passagem recente de um ciclone bomba pela região promoveu sérios danos às árvores de ACA, muitas caíram e exigiu que outras fossem removidas pelo risco de futuras quedas, além da cerca de contenção de acesso que foi destruída.

Cinamomo de grande porte junto à arquitetura tradicional de referências alemãs.
Árvores da praça Urbano Mafra Vieira, no bairro dos Estados.
Árvores da praça das Sereias em momento de grande transformação da paisagem com a criação do elevado da 4a. Avenida.
Figueira de grande porte na praça das Sereias, durante a obra do elevado da 4a. Avenida.
Figueira de grande porte em uma esquina da avenida Central
Conjunto de árvores de grande porte proporcionando extensa área de sombra e conforto ambiental.
Antigos lotes privados com conjunto de árvores de grande porte em amplo jardim
Ruas do Centro, “presas” entre avenidas de grande movimento, formando pequenos trechos arborizados
Dupla de árvores de grande porte resistindo ao crescimento da mancha urbana, em contraste com a verticalização dos arranha-céus
Árvores isoladas junto à edificações históricas que remetem aos tempos de calmaria de balneário, e que, devido ao grande porte, ganhou desenho de alargamento da calçada.
Trechos de ruas centrais que ainda preservam conjuntos arbóreos mais densos
Escola particular da região central explorou o conforto proporcionado pela grande árvore em seu pátio e fez uma estrutura como espaço de brincadeiras
Conjunto arbóreo junto à Unidade Básica de Saúde Central no centro da cidade
Conjunto arbóreo na marginal da rodovia BR-101, junto ao túnel da avenida do Estado, garantindo relativo conforto ambiental para o entorno.
Figueira de porte gigante, além de forte presença na paisagem, proporciona extenso sombreamento no estacionamento de um hotel
Ilha das Cabras, no meio da enseada da praia Central, vista por entre às árvores do calçadão da avenida Atlântica
Conjunto de amendoeiras-da-praia no calçadão da avenida Atlântica consideradas imunes ao corte
Presença de algumas árvores de grande porte formando a arborização da 3a. Avenida
Árvores compondo a arborização urbana em rua do Centro, garantindo bom sombreamento, mas gerando conflitos com a acessibilidade do passeio.
Árvore de grande porte isolada no meio da aridez da mancha urbana já consolidada
Árvore de grande porte no final de uma rua sem saída, proporcionando conforto ambiental para o espaço público e para o jardim no fundo de um lote privado.
Pequeno bosque de mata nativa junto a uma das nascentes do rio Marambaia, dentro do Centro Educacional Municipal Vereador Santa, protegido como Área de Conservação Ambiental

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