PERCURSO #5: BARRA SUL

O quinto percurso da pesquisa de campo corresponde à porção sul do Centro de Balneário Camboriú, aproximadamente a região conhecida como Barra Sul. Este percurso está compreendido entre as ruas 2500, a rodovia BR-101, o rio Camboriú e o mar. Assim, como todo o Centro da cidade, é uma região muito urbanizada e verticalizada, com a ocupação do território bastante densa e poucos lotes vazios. Em espaços urbanos com estas características é bem comum a pouca presença de áreas verdes e a arborização é bastante rarefeita, o que, neste caso, é suavizado pela existência do rio Camboriú e a mata ciliar em suas margens.

O principal conjunto arbóreo deste percurso fica junto ao rio Camboriú, sendo formado pela mata ciliar do rio, que ainda é relativamente preservada, com grandes volumes de vegetação formadoras do ecossistema de manguezal, inclusive com diversas ilhas fluviais. Estre trecho corresponde à margem esquerda da foz do rio, é acompanhada pela via conhecida como Beira-Rio, mas que tem o nome oficial de Avenida Normando Tedesco. Nesta porção do rio é desenvolvido o serviço de marinas, com um fluxo intenso de embarcações de diversos portes, o que causa certo impacto sobre a vegetação nativa.

Quando o rio chega ao mar, junto à sua margem direita, encontramos o Morro da Aguada. Parte do morro compõe a Reserva Particular do Patrimônio Natural Normando Tedesco, criada em 1999 e uma das primeiras RPPN´s urbanas do estado. A Reserva foi criada junto com a implantação do Parque Unipraias, como medida de proteção e controle da utilização do maciço do morro. O Parque Unipraias é um dos pontos turísticos mais importantes da cidade, formado por um complexo de estações de bondinhos aéreos, algumas no alto do Morro no meio da mata, ligando a praia Central com a praia de Laranjeiras.

Outro conjunto arbóreo que se destaca neste percurso são as amendoeiras do calçadão da Avenida Atlântica, na praia Central. Esta arborização pública é uma das características mais marcantes da paisagem urbana da cidade, sendo reconhecidas historicamente como parte da identidade local. Neste ano de 2020 as amendoeiras-da-praia, como são conhecidas as árvores da espécie Terminalia catappa, mesmo sendo plantas exóticas ao nosso ambiente, foram declaradas imunes ao corte por um decreto municipal, por sua relevância paisagística e formadoras da memória urbana.

Este percurso, assim como os outros que compõem a região central da cidade, por formarem uma paisagem altamente edificada e com a mancha urbana bastante densa, de maneira geral, apresenta o restante de sua paisagem natural composta por elementos arbóreos mais isolados e, em alguns casos, por certos trechos de ruas com pequenos conjuntos de árvores, que resistem com grande insistência à transformação do ambiente natural, que vai se tornando cada vez mais artificial e árido com o crescimento da cidade.

O Censo de 2010 do IBGE mostrou que Balneário Camboriú está entre as cidades mais arborizadas da região, com 78% de suas ruas arborizadas, aparecendo na posição de 2.550 entre todas as 5.570 cidades brasileiras. O estudo analisou os entornos de moradias urbanas que estão localizados em quadras ou quarteirões. Um terço dos domicílios brasileiros em áreas urbanas não têm uma árvore no entorno. Porém, percebemos que a distribuição das áreas verdes é muito irregular, apresentando uma grande concentração nas periferias do município, principalmente vinculadas a áreas de preservação ambiental.

Avenida Normando Tedesco, popularmente conhecida como Avenida Beira-Rio, nas margens do rio Camboriú, junto à sua mata ciliar
Na Avenida Beira-Rio, a mata ciliar do rio Camboriú, essencialmente um ecossistema de manguezal, convive intimamente com os arranha-céus
Pontos de atracação de barcos da comunidade pesqueira no rio Camboriú, junto às ilhas fluviais e densa vegetação de manguezal
Figueira de grande porte junto à Passarela da Barra, na Avenida Beira-Rio, resistindo ao crescimento vertical vertiginoso dos prédios vizinhos
Conjunto de flamboyants na Avenida Beira-Rio
Última porção de restinga que resistiu na beira-mar da praia Central
Conjunto de amendoeiras-da-praia compondo à paisagem tradicional da praia Central, consideradas imunes ao corte por lei municipal
Parte do Morro da Aguada, na foz do rio Camboriú, é protegida como Reserva Particular do Patrimônio Natural
Conjunto de árvores de grande porte em rua da região Central
Conjunto de árvores de grande porte em rua da região Central
Conjunto de palmeiras de grande porte junto à Estação Elevatória de Esgoto da EMASA na Avenida Brasil
Conjunto de árvores de grande porte em rua da região Central
Conjunto arbóreo com poda em formato retilíneo, gerando sombreamento em calçada da região Central
Conjunto de árvores de grande porte na via Marginal Leste da rodovia BR-101
Árvore de grande porte da espécie Espatódea em rua da região Central, possui legislação municipal que proíbe seu plantio e incentiva seu corte, por ser espécie considerada nociva para insetos e aves
Horta implantada em terreno particular, apresenta uma possibilidade de produção de alimentos em meio à densidade urbana. A cidade tem legislação que permite e estimula a criação de hortas comunitárias em terrenos públicos e privados.

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