ARBORIZAÇÃO E SEUS CONFLITOS

É inquestionável que nas cidades as árvores desempenham um papel muito importante para a melhoria da qualidade de vida da população e do meio ambiente. Porém, muitas vezes não é considerada a importância de se ter um bom planejamento para que essa arborização garanta todos os benefícios pretendidos e que sejam minimizados os impactos e conflitos que podem ocorrer com as estruturas espaciais já existentes e futuras da cidade.

É de responsabilidade da gestão pública de cada município este planejamento, desde sua concepção até sua implantação e manutenção através da disponibilização de técnicos e agentes ambientais capacitados para as etapas de plantio, poda de árvores e até a mesmo a supressão. A gestão pública deve garantir a elaboração de um plano de arborização urbana, que servirá como um documento orientador para as ações ligadas à prática de plantio e manutenção das árvores no espaço urbano.

O plano, que servirá tanto para a administração pública quanto para os cidadãos, deve levar em consideração as características peculiares de cada cidade, como seus valores culturais, ambientais e de memória, além de aspectos importantes para se garantir a segurança e a mobilidade e evitar situações conflitantes entre a arborização e equipamentos urbanos como fiações elétricas, postes de iluminação, muros e passeios.

Nas saídas de campo do projeto Sombras, percorrendo o território de Balneário Camboriú, foi possível notar alguns conflitos recorrentes entre as árvores, os equipamentos urbanos e as próprias edificações, como: podas mal realizadas de copas sob fiação; danos nas calçadas, bueiros e bocas de lobo provocadas pelo crescimento das raízes; árvores de porte equivocado que obstruem a mobilidade de vias e calçadas; entre outras.

Em conversa com o engenheiro florestal da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Balneário Camboriú, Denis Gleich, ele nos relatou que esses conflitos são muito frequentes. Em uma de nossas saídas encontramos um guapuruvú, árvore de grande porte típica da Mata Atlântica, que havia sido recém podada pelos moradores vizinhos, em função do risco de queda dos galhos. Sobre este tipo de acontecimento, comenta o Denis: “Onde envolve risco a vida e patrimônio e casos que advém de defesa civil, por mais saudável que esteja a árvore, normalmente liberamos poda ou corte pra evitar perda de vidas humanas. Infelizmente. Vocês vão ver muitos riscos parecidos! Onde nem as podas somente resolveriam! Árvores descaracterizadas pela Celesc e pela própria Prefeitura ao longo dos anos. Principalmente liberação de construções de casas muito próximo ou até embaixo de árvores enormes, como o guapuruvu. A madeira do guapuruvu não é muito resistente! Se vem vento forte ela é elástica e absorve! Mas se vem um ciclone bomba e a atinge de frente por exemplo, o momento elástico dela vira plástico! Aí ela tomba ou quebra. Tem massa e energia potencial pra causar muitos estragos. Porque o crescimento dela é bem vigoroso e rápido como toda [espécie] pioneira!
Quando os problemas são com embaúbas, eu já não libero, porque ela é oca e muito difícil ter a massa pra estragar uma casa inteira ou matar uma pessoa.”

Continua indicando outros conflitos recorrentes: ” Vocês vão ver muitos problemas também com rede de esgoto! Onde a planta está muito próxima da rede coletora de esgoto. Nesse caso a rede pluvial está ao lado também, e pode ter contaminação cruzada por conta da própria raiz da árvores que pode conectar as duas redes, deixando o esgoto vazar pela pluvial.” Comenta também o conflito com a rede elétrica, onde tem “árvores de grande porte, de crescimento vigoroso e desordenado! Normalmente logo abaixo da rede elétrica também e de distribuição de serviços. Sem brincadeira, é quase que diário! Pelo menos, acredito ser uma por semana de casos assim.”

Guapuruvú recém podado pelos moradores vizinhos devido ao risco de queda dos galhos
Conflito da arborização com os equipamentos urbanos, raízes impactando a rede de esgoto, águas pluviais e calçada
Árvores de porte desproporcional com o tamanho da calçada, impossibilitando o fluxo de pedestres, além de não prever área permeável em sua base e gerando danos no pavimento.
Poda de uma árvore de grande porte em conflito com a rede elétrica na Vila Real
Escolha incorreta da espécie arbórea para a arborização pública pode promover conflitos bem drásticos com os equipamentos urbanos

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